Revista Rolling Stone é colocada à venda nos EUA

    O fundador da publicação, Jann Wenner, teme que seja dada uma guinada à direita pelos novos proprietários

    Foto: Divulgação

    A clássica revista “Rolling Stone”, publicada há 50 anos, está em busca de um comprador. O anúncio foi feito neste domingo (17) pelo seu fundador, Jann Wenner.

    Em entrevista ao The New York Times, ele explicou que queria que a publicação fosse administrada por uma empresa familiar, quando a criou, em 1967. “Há um certo nível de ambição que não podemos alcançar sozinhos”, disse Wenner, que dirige a revista com seu filho, Gus.

    Considerada uma das publicações mais importantes da história do jornalismo cultural, sobretudo na cobertura da cena roqueira, a “Rolling Stone” teve sua reputação manchada (e, por extensão, suas finanças abaladas) por uma reportagem publicada em 2014 sobre o suposto estupro em uma universidade da Virgínia, que não respeitou regras básicas de apuração jornalística e, mais tarde, foi desmentida.

    No ano passado, a BranLab Technologies, uma startup de Cingapura dedicada à música e fundada pelo filho do milionário Kuok Khoon Hong, comprou 49% da emblemática revista.

    A família Wenner vendeu, neste ano, outras duas publicações, a “US Weekly” e a “Men’s Journal”, ao grupo American Media, especializado na edição de tabloides.

    Se a Rolling Stone for vendida para o mesmo grupo, isso significaria uma mudança drástica na ideologia do veículo. O conglomerado é dirigido por David Pecker, um partidário fervoroso de Donald Trump, enquanto a Rolling Stone está à esquerda e já publicou longas entrevistas com ex-presidentes democratas, como Barack Obama e Bill Clinton.

    Jann Wenner, de 71 anos, explicou que gostaria de conservar seu papel editorial no futuro, mas que a decisão depende do novo proprietário da revista.