Senado salva Aécio Neves e avacalha ainda mais a honra da política nacional

    Pelo que se viu ontem no Senado, os nossos digníssimos representantes acuados pela Lava Jato tentam transformar o mocinho em bandido

    Frase da vez

    “O maior ladrão não é o que rouba por nada ter, mas o que tendo dá a morte, para roubar mais”
    Francisco Quevedo, escritor espanhol (1580-1645).

    Foto: Geraldo Magela/ Agência Senado
    Foto: Geraldo Magela/ Agência Senado

     

    Ninguém duvidava que o senador mineiro Aécio Neves ficaria livre e leve para exercer o mandato, se dependesse do julgamento do Senado. Até se previu que ele teria 30 votos certos contra. Teve menos, apenas 26.

    Como também ninguém duvida que a Câmara vai salvar Michel Temer, de novo.

    Aliás, pelo que se viu ontem no Senado, os nossos digníssimos representantes acuados pela Lava Jato tentam transformar o mocinho em bandido. Rodrigo Janot apanhou, por estar supostamente querendo macular ‘a inviolabilidade dos mandatos’.

    Já se sabe que no Brasil representação política é descasada dos representados. E os representantes nem tchum na intenção de reabilitar a credibilidade perdida.
    Muito pelo contrário. O Congresso que já está negativado reafirmou o privilégio de cometer crimes impunemente.

    Delcídio e Waltinho

    Não seria Walter Pinheiro quem deixaria Aécio ser aprovado com a omissão dele, já que Roberto Muniz, o suplente dele no Senado, está nos Emirados Árabes.

    Delcídio, o senador matogrossense do PT que acabou cassado era tão amigo de Pinheiro que o chamava de Waltinho.

    Assim que o Senado aprovou a cassação dele, a primeira preocupação de Delcídio foi perguntar a quem foi lhe dar o resultado:

    — E como foi que Waltinho votou?
    — Contra.