Governo vai retirar apoio de deputados que votarem contra Temer

    Para barrar segunda denúncia, base vai oferecer apoio da máquina federal apenas a deputados que apoiarem o presidente

    Foto: Antonio Augusto/ Câmara dos Deputados

    Para evitar surpresas, Michel Temer e a base governista articulam formas de garantir o apoio do plenário da Câmara de Deputados na votação da segunda denúncia contra o presidente nesta quarta-feira (25).

    Uma das táticas é oferecer apoio da máquina federal nas eleições de 2018 apenas aos parlamentares que votarem para barrar a acusação. Entre os líderes do partido, o discurso é de “tolerância zero” a traições e omissões, de acordo com a Folha do Estado.

    Medida semelhante foi adotada na primeira denúncia contra o presidente em agosto. O governo ameaçou e retirou cargos de quem se opôs ao Palácio do Planalto. Agora, todos estão avisados:

    “Quem votar contra o presidente Temer escolheu ser oposição. Ainda mais com base nessa denúncia, absolutamente inepta e fruto de uma grande armação”, afirma o deputado Baleia Rossi (SP), líder do PMDB.

    Nas últimas semanas, dezenas de nomeações em diversas instâncias foram liberadas pelo governo, para atender às demandas dos insatisfeitos. No total de 513 deputados, são necessários 342 votos para dar prosseguimento à denúncia. A expectativa do governo é rechaçar a ameaça, e conseguir concluir o mandato em 2018.

    Temer é acusado de obstrução da Justiça, e de integrar ao lado dos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral), uma organização criminosa que teria recebido cerca de R$ 587 milhões em propinas.