Bolsonaro já elogiou Chávez: ‘Esperança para a América Latina’

    Em justificativa à entrevista concedida em 1999 para o jornal O Estado de S. Paulo, o deputado argumentou: “A gente se ilude com as pessoas”

    Gabriela Korossy/ Câmara dos Deputados

    Uma imagem extraída do acervo do jornal O Estado de S. Paulo de uma entrevista concedida pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), na qual o parlamentar exalta o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, deu o que falar na internet e em aplicativos de mensagem nesta segunda-feira (11).

    O conteúdo, que data de 1999, diz respeito à polêmica visita feita por Chávez ao Brasil.

    À época, o jornal ouviu alguns dos deputados federais para saber o que eles pensavam do ex-militar, que havia vencido as eleições venezuelanas com 56% dos votos e tinha agenda com o então presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso. Bolsonaro foi um dos entrevistados.

    “[Hugo Chávez] É uma esperança para a América Latina e gostaria muito que essa filosofia chegasse ao Brasil (…). Ele não é anticomunista e eu também não sou”, declarou o parlamentar.

     

    Foto: Reprodução/Acervo O Estado de S.Paulo
    Foto: Reprodução/Acervo O Estado de S.Paulo

     

    Atualmente, Bolsonaro se posiciona como um dos maiores críticos do “comunismo” no país. Faz oposição ferrenha aos mandatos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, que, para ele, se trataram de “ditaduras comunistas”.

    Tanto é que, ao ser questionado sobre o teor da entrevista, pelo site O Antagonista, defendeu-se: “Ora, 90% do povo venezuelano vibrou com a eleição de Chávez, assim como o Brasil vibrou com Lula. Eu gostei de ver um coronel paraquedista no governo. Seu discurso era outro. A gente se ilude com as pessoas”.

    Em relação à declaração de que “não tem nada mais próximo do comunismo do que o meio militar”, reproduzida naquela época pelo Estadão, o deputado garante ter sido retirada de contexto.

    “Eu disse que, no meio militar, nós nos aproximamos do comunismo na maneira como somos tratados — e não na defesa da liberdade. Todos somos iguais, usamos o mesmo uniforme. Comparados com qualquer classe, o militar se aproxima do comunismo. Mas o espírito é completamente diferente”, explicou.