Lula vai se entregar: “Não vou correr. Vou provar a minha inocência”

    O ex-presidente ainda revelou que recebeu conselhos para fugir, mas descartou a possibilidade

    Foto: Paulo Pinto

    O ex-presidente Lula declarou neste sábado (7) que vai se entregar à Polícia Federal. Em discurso no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, ele voltou a afirmar que está sendo condenado sem provas e alfinetou o juiz federal Sérgio Moro, que acatou o pedido do TRF4 e expediu mandado de prisão contra o petista na última quinta-feira (5).

    “Se dependesse da minha vontade, eu não iria. Mas vou porque eles vão dizer que Lula estão escondido. Não tenho medo, não vou correr. Vou provar a minha inocência. Eu já falei que aceito debate com Moro, com qualquer juiz. Quero que eles provem qualquer crime que eu cometi. Se o crime que eu cometi foi levar comida e educação para os pobres, eu digo que quero continuar sendo criminoso neste País”, disse.

    O ex-presidente ainda revelou que recebeu conselhos para fugir, mas descartou a possibilidade. “Não tenho mais idade, a minha idade é enfrentá-los. E eu vou enfrentá-los. Eu quero saber quantos dias eles vão pensar que estão me prendendo. Quanto mais dias me deixarem lá, mais Lula irão nascer nesse país. A democracia não tem limite”, afirmou.

    O petista também discursou que não é contra a Lava Jato e lembrou que durante seu governo trabalhou para fortalecer o Ministério Público e o Judiciário.  “Se encontrarem ladrão mesmo, que peguem e prendam. Quero que continuem prendendo ricos. Mas o problema é que você não pode fazer julgamento e dizer que ‘não pode ir contra a opinião pública’. Se é pra julgar assim, largue a toga e vá para um partido político”, afirmou.

    Ele ainda apontou que criminosos são os responsáveis pela sua condenação. “Quem cometeu o crime foi o delegado que me acusou, o juiz que me julgou e o Ministério Público que foi leviano comigo”, atacou.

    Diante do clamor popular durante ato ecumênico, Lula destacou que os “ataques fortalecem” sua relação com a sociedade. “Eu sonhei que era possível levar estudantes das periferias para as melhores faculdades deste país, para que a gente não tivesse só juízes e procuradores da elite. Esse crime eu cometi. E é isso que eles não admitem”, completou.