Lúcio resistiu às malas, e, quando se arrumava, sofreu uma nova bordoada

    Os amigos dizem que é difícil para eles e para Lúcio resistir, até porque agora está vulnerável a novas pancadas

    Frase da vez

    “Nunca confies no conselho de um homem em apuros”

    Esopo, filósofo grego da antiguidade (não há registro do ano de nascimento – 564 a.C.)

    Foto: Sérgio Lima
    Foto: Sérgio Lima

     

    Das entrelinhas da semiótica sai a máxima: ponto de vista é a vista de um ponto, a Baía de Todos-os-Santos vista do Elevador Lacerda é uma coisa, da Ilha de Itaparica é outra e da Ilha dos Frades é outra, e é a mesma Baía.

    Vamos dar um remake com o caso do deputado Lúcio Vieira Lima (MDB) de três pontos de vista: o da sociedade, o jurídico e o dele.

    1 — O da sociedade: R$ 51 milhões em malas e caixas num apartamento é algo tão espetaculoso no mar da corrupção que tem de ser apurado, julgado e punido.

    2 — O jurídico: quase sempre noutros casos da Lava Jato a polícia corre atrás de provas a partir da deleção ou documentos. No caso de Geddel e Lúcio é o inverso, a polícia achou uma fortuna e busca provar como ela chegou lá no apartamento, Algo inédito, não só pelo volume de dinheiro, também pela forma.

    O dele: após a pancada das malas, Lúcio se retraiu, mas aos poucos foi repegando o dia a dia e nas articulações políticas que produziu ninguém duvidava que atingiria o seu objetivo, o de reeleger-se e garantir, por tabela, o fórum privilegiado a fim de evitar ou retardar a estadia na Papuda.

    Veio a decisão do STF que o transformou em réu (junto com o irmão Geddel, e a mãe, Marluce) e a pancada bateu forte. O que se diz: complica a situação dele no Conselho de Ética e causa novo estrago político. Os amigos dizem que é difícil para eles e para Lúcio resistir, até porque agora está vulnerável a novas pancadas.