Otto virou liderança forte com viúvas do carlismo que Geddel não segurou

    Chegou a tal condição, ironicamente, por uma obra de engenharia política de Jaques Wagner

    Frase da vez

    “A cultura é uma muleta com que o coxo bate no são para mostrar que também a ele não faltam as forças”

    Karl Kraus, jornalista e poeta austríaco (1874-1936)

    Foto: Jane Araújo/ Agência Senado
    Foto: Jane Araújo/ Agência Senado

     

    Diz o senador Otto Alencar (PSD) que a opção de Rui Costa por Angelo Coronel, o ungido dele, na segunda vaga para o Senado na chapa governamental (ao invés da senadora Lídice da Mata-PSB) ocorreu graças ‘a uma decorrência das circunstâncias do momento’.

    E quais são as tais circunstâncias do momento? Simples. Otto se tornou uma das mais expressivas lideranças do Estado na banda governamental, só superada pelo próprio Rui Costa. E chegou a tal condição, ironicamente, por uma obra de engenharia política de Jaques Wagner.

    A gênese

    Na gênese da questão, estão as chamadas viúvas do carlismo que pouco depois de 2006, quando Wagner ganhou o governo unindo todas as forças anticarlistas, entre elas, Geddel, correram em massa para o PMDB, hoje MDB.

    Em 2010, Geddel rompeu com o governo e decidiu disputar o governo, de quebra, levando César Borges, que já estava apalavrado com Wagner, para disputar o Senado.

    Foi aí que Wagner fez a jogada. Foi no TCM e convenceu Otto a voltar ao cenário político. Colou. ACM Neto, ressalte-se, herdou do avô, além da grife, uma fatia do eleitorado, mas o grosso habituou-se a ser governo. E por isso Geddel não segurou.

    Otto engordou ainda mais o cacife quando as circunstâncias o ajudaram, com a desilusão com o PT logo após o impeachment de Dilma e com Temer após o caso Joesley. Foi nesse jogou que Lídice sobrou.