Após criticar ministros do STF, Dallagnol pode ser punido por infração disciplinar

    Procurador terá que dar explicações a dois órgãos: a corregedoria do Ministério Público Federal e a do Conselho Nacional do Ministério Público

    Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

    Coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal (MPF), o procurador Deltan Dallagnol será alvo de um procedimento para apurar possível infração disciplinar, após criticar a decisão da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) de transferir para a Justiça de Brasília trechos da delação premiada de executivos da Odebrecht com referências ao ex-presidente Lula, segundo a colunista Mônica Bergamo, da Folha.

    Dallagnol afirmou na última quarta-feira (15), em entrevista à CBN, que a decisão foi tomada “pelos três mesmos de sempre, que tiram tudo de Curitiba e que mandam tudo para a Justiça Eleitoral e sempre dão habeas corpus, estão sempre formando uma panelinha e que mandam uma mensagem muito forte de leniência a favor da corrupção”.

    Apesar de não mencionar os nomes, o procurador se referia aos ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. Pelas declarações, o coordenador da Lava Jato terá que dar explicações a dois órgãos disciplinares: a corregedoria do MPF e a do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

    Um dos procedimentos foi instaurado a pedido de Toffoli, que se encontrou nesta quinta-feira (16) com o corregedor-geral do CNMP, Orlando Rochadel.

    “Nessa primeira fase, vamos degravar a entrevista concedida por ele e ver se há algum indício de infração e se há expressões incompatíveis [com o exercício da função]. Depois vamos pedir explicações e, a partir daí, decidir se abriremos um procedimento administrativo disciplinar”, declarou o corregedor-geral do CNMP.