‘Lula bota no bolso todo doutor’, diz Tom Zé

    Em entrevista ao Uol, músico baiano também falou sobre o "medo da violência" e chamou Bolsonaro de "Trump brasileiro"

    Foto: Arquivo Pessoal/Instagram

    Aos 81 anos, o músico baiano natural de Irará, Tom Zé, falou sobre política e reconheceu o legado deixado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Lula bota no bolso todo doutor”, disse o cantor em entrevista ao Uol.

    “O Nordeste é um lugar onde muitas vezes circula uma inteligência muito sofisticada. O Lula é um homem assim. Não tô dizendo que ele é o bom e os outros são ruins, tô falando de humanidade. Não se pode deixar Lula subir no palanque que ele bota no bolso todo doutor de universidade”, analisou Tom Zé.

    O compositor admite ter “medo da violência” na sociedade atual e tem receio de que Jair Bolsonaro – a quem chama de “Trump brasileiro” – seja eleito.

    “Todo mundo tá torcendo para ter um segundo turno para que possamos eleger um cara que não seja o Bolsonaro, que é um Trump brasileiro, o ‘Bolsontrump’. Não é brincadeira a violência”, pondera.

    Um dos grandes nomes da “tropicália”, Tom Zé ainda guarda mágoas desta época. Diferente de Caetano Veloso e Gilberto Gil, que foram para o exílio na Europa, Tom Zé ficou no Brasil. De acordo com o cantor, “foram lá falar mal” dele para os outros músicos baianos. “Me tiraram e não teve espaço para ninguém”.

    “Caetano às vezes fala [da importância de Tom Zé para o movimento]. Gil, esquece, não existe. Não digo que Gil é ruim por ficar calado. Ele tem no contexto psicológico dele, eu fiz 30 anos de psicanálise, mas não é por isso que vou psicanalisar Gilberto Gil. Não sei psicanalisar a mim, quanto mais Gil. Mas ele tem um sentido que é humano e é uma fortaleza na pessoa, o sentido de competição. Tem alguma coisa no intuitivo dele”, contou Tom Zé.