Hélio Ferreira: ‘Força do sindicato’ provocou recuo na retirada de linhas

    Categoria se reuniu com governo para discutir remanejamento de linhas de ônibus que fazem mesmo trajeto do metrô em Salvador

    Foto: Matheus Morais/ bahia.ba

    Liderança do Sindicato dos Rodoviários, vereador Hélio Ferreira (PCd0B), acredita que a categoria conseguiu um recuo após a reunião com a Casa Civil do governo estadual, que mostra a “força” sindical.

    “Esse recuo foi a força do sindicato e da categoria, que fez essa cobrança e acredito que a gente vai dar a volta por cima e manter nossos postos de trabalho”, disse o vereador ao bahia.ba. Ele destacou a recente perda de três mil empregos para os trabalhadores.

    No encontro de segunda-feira (26), o secretário Bruno Dauster reconheceu “que se colocou mal” ao falar sobre a extinção das linhas, em entrevista na semana passada, e explicou que o processo é um remanejamento. No entanto, o protesto dos rodoviários marcado para a sexta-feira (30) continua mantido.

    “O protesto continua mantido. Tivemos uma reunião ontem e já houve recuo da proposta de retirada de linha, é outra situação, de remanejamento. É isso que a gente defende, que os ônibus sejam alocados nos bairros, para atender melhor a população, e a gente garantir nossos postos de trabalho”, declarou Ferreira.

    A manifestação será na sexta-feira, 9h, no Campo da Pólvora, e às 15h, no Campo Grande.  “Queremos chamar atenção do ministério público para manter essa quantidade que está aí e fortalecer os bairros, porque a população está carente. Então se manter os ônibus nos bairros vai atender a população e garantir nossos postos de trabalho”, defendeu.

    Entenda a polêmica

    A discussão sobre a retirada de linhas começou com uma declaração do chefe da Casa Civil do governo da Bahia, Bruno Dauster, que pediu, em entrevista à Rádio Metrópole, na última quarta-feira (21), para que a prefeitura de Salvador cumprisse um acordo e retirasse cerca de 100 linhas que fazem o mesmo percurso que o metrô. A exclusão das linhas já estava prevista em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre Estado e prefeitura, assinado em 2017.

    Em resposta, o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), afirmou, nesta segunda-feira (26), que a prefeitura não deve implantar a medida. “Não vamos retirar absolutamente nenhuma das linhas que o governo do estado está sugerindo que sejam suprimidas, porque isso iria gerar um caos na cidade. A população não pode ficar sem essas linhas de ônibus. Eu tenho o dever, a responsabilidade, enquanto prefeito, de zelar pelo transporte público, pela mobilidade das pessoas. (…) O que o governo do estado quer penaliza as pessoas mais pobres que dependem do ônibus e não vou permitir que isso aconteça. Enquanto eu for prefeito, não vamos suprimir nenhuma linha de ônibus”, declarou.