Malta, o amigo de Bolsonaro, entra no Natal operando o milagre que não quis

    Adversários ideológicos dele que se declaravam ateus balançaram. Já não contestam se a justiça divina existe

    Frase da vez

    “Agravo vulgar à política é confundi-la com a astúcia”

    Baltasar Gracián, padre jesuíta e escritor espanhol (1601-1658)

    Foto: Instagram/ Arquivo Pessoal | Magno Malta
    Foto: Instagram/ Arquivo Pessoal | Magno Malta

     

    Já dizia Machado de Assis que o acaso é um Deus e um diabo ao mesmo tempo. Nada se encaixa melhor para o dito do que a forma como o senador capixaba Magno Malta (PR) fecha 2018.

    Evangélico, ex-pastor, eleito deputado estadual em 1998, logo na eleição seguinte embarcou para Brasília como senador, reeleito em 2010 bradando que ‘Lula foi o melhor governador que o Espírito Santo já teve’.

    Também em 2010 Lauriete Rodrigues, cantora gospel capixaba casada com um pastor se elegeu deputada federal. Ela se separou do marido e reapareceu de mãos dadas com Magno Malta, com quem casou, motivo de muito ti-ti-ti entre os evangélicos.

    Magno Malta também levou para à CPI da Pedofilia o caso do cobrador Luiz Alves de Lima, acusado de ter abusado de uma filha de dois anos e a mãe de conivência.

    O acusado foi preso por nove meses, torturado até quase ser morto. E a justiça o declarou inocente. Ou seja, Malta montou uma fake, causou estragos principalmente nele próprio.

    Justiça divina

    Em meados deste ano foi convidado por Bolsonaro, de quem tornou-se apoiador de primeira hora, a ser o vice. Declinou. Ou melhor, não acreditou (na vitória de Bolsonaro). Preferiu a reeleição para o Senado, se estrepou.

    Mais que isso, viu sair das urnas como grande estrela na disputa do Senado, Fabiano Cantarato (Rede) com 1,1 milhão de votos, quase o dobro dele, homossexual assumido.

    Por fim, acabou rifado por Bolsonaro, que indicou para o Ministério dos Direitos Humanos e da Mulher a pastora Damares Alves, ex-assessora dele. Jornalistas capixabas dizem que Malta entra no clima natalino operando um milagre: adversários ideológicos dele que se declaravam ateus balançaram. Já não contestam se a justiça divina existe.