Não há motivo para rever nada, diz Ayres Britto sobre Raposa Serra do Sol

    Ministro do STF rechaça intenção do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) acerca de demarcação da terra indígena

    José Cruz/Agência Brasil

    O ministro do STF, Ayres Britto, rechaçou a intenção do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) de rever a demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol. Ele tem alegado razões de soberania nacional e a presença de riquezas minerais.

    Relator da ação acerca do caso julgada pela corte em 2009, Britto afirmou em entrevista ao jornalista Bernando Mello Franco, do jornal O Globo, que o tema já foi “exaustivamente” tratado pelo Supremo.

    “Tivemos o cuidado de conciliar os interesses dos índios com os interesses nacionais. Não há motivo para rever nada, nada, nada”, afirma o ex-ministro. “As terras indígenas pertencem à União. Qual é o perigo para a soberania nacional? Nenhum”, sentencia.

    A Corte estabeleceu 19 salvaguardas antes de decidir a favor dos índios no conflito com os arrozeiros. Tais diretrizes deixam claro que “o usufruto dos índios não alcança a pesquisa e a lavra das riquezas minerais” e que as Forças Armadas não precisam consultar os índios ou a Funai para atuar na região.

    “Ficam dizendo coisas imprecisas, e até equivocadas, para projetar antipatia contra os índios”, diz Ayres Britto. “Depois que o Estado paga uma dívida histórica, civilizatória, ele não pode mais estornar o pagamento e voltar a ser devedor”, acrescenta.