Ministério Público mira crimes de licenciamento ambiental em MT

    Processos teriam furado fila e ganhado pareceres de analistas parte do esquema; suspeitos negam

    Investigações da Delegacia do Meio Ambiente (Dema) e do Ministério Público de Mato Grosso revelaram nos últimos quatro meses um amplo esquema de fraudes na principal ferramenta de licenciamento de propriedades rurais no Estado.

    De acordo com informações do jornal Folha de S. paulo, as suspeitas de irregularidades no Cadastro Ambiental Rural (CAR) envolvem quase 600 processos validados em junho de 2017 pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).

    Segundo a promotoria, os procedimentos eram lastreados em informações e documentos falsos e, no âmbito da secretaria, validados por laudos técnicos de fachada. As fraudes abriam caminho para desmates ilegais.

    Em apenas um dos casos investigados pela promotoria, o esquema pode ter permitido a derrubada irregular de mais de 5 mil hectares de florestas —uma área equivalente a 22 vezes à do parque Ibirapuera.

    No último dia 18, o então secretário André Luís Torres Baby (Meio Ambiente) foi preso sob a suspeita de envolvimento em constituição de organização criminosa e inclusão de dados falsos em sistema informatizado.

    A Justiça também determinou na última semana o bloqueio de R$ 407 milhões em bens em nome de cinco supostos beneficiários dos licenciamentos fraudados na região de Querência (959 km de Cuiabá). Entre eles, está o prefeito do município, Fernando Gorgen (PSB), que nega as acusações.