Wagner atribui a candidatos derrotados ‘excesso de protagonismo do Judiciário’

    "Se a gente continuar assim, cada vez mais o Judiciário vai dizer quem é prefeito e quem não é. E eu acho que quem tem que fazer isso é o povo, através do voto"

    Foto: Matheus Morais/ bahia.ba

    Em discurso na cerimônia de posse do prefeito de Bom Jesus da Lapa, Eures Ribeiro, na presidência da União dos Municípios da Bahia (UPB), na tarde desta terça-feira (8), o senador eleito Jaques Wagner (PT) criticou a ‘judicialização’ de eleições em todo o País, a partir de questionamentos feitos na Justiça por candidatados derrotados.

    “Todos nós somos responsáveis pelo excesso de protagonismo do Judiciário. Porque perdemos a eleição e vamos pra Justiça. O jogo da política é um e o do Judiciário é outro. Se eu pudesse, fazia um pacto pra não investir contra um adversário quando a gente perdesse uma eleição. Se a gente continuar assim, cada vez mais o Judiciário vai dizer quem é prefeito e quem não é. E eu acho que quem tem que fazer isso é o povo, através do voto”, disse Wagner.

    Um dos casos mais importantes da história recente (e que abriu precedentes para a ‘onda’ de questionamentos na Justiça) é o do senador e deputado federal eleito Aécio Neves (PSDB), que em 2014 perdeu a eleição para a então presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff.

    Aécio chegou a pedir à Justiça Eleitoral recontagem dos votos (pleito negado), e passou a questionar em público a credibilidade do sistema eletrônico de votos do País. Depois, a linha de questionamentos judiciais contra Dilma e o PT se deu em torno do que os tucanos apelidaram de ‘estelionato eleitoral’.

    Além de Aécio e do PSDB, há em todo o Brasil diversos questionamentos em curso de candidatos derrotados contra os eleitos, muitos deles com argumento de abuso de poder econômico e ou político (no caso de reeleitos).