O cacau pede passagem na era de Bolsonaro. Pedro Tavares corre atrás

    "Vamos ver se agora vai"

    Foto: Sandra Travassos/ AL-BA
    Foto: Sandra Travassos/ AL-BA

     

    O deputado Pedro Tavares (DEM) diz que a partir da próxima semana vai procurar os líderes dos cacauicultores para formular a pedida deles e articular meios para levá-las até as mãos do governo Bolsonaro.

    O Plano de Aceleração do Desenvolvimento e de Diversificação Agrícola na Região Cacaueira, lançado por Lula em maio de 2008, em Ilhéus, resultou em fiasco.

    Estima-se que quase 10 mil produtores de cacau devem algo em torno de R$ 2 bilhões, uma dívida que desde o início dos anos 90 só cresce.

    Herança maldita

    Diz Pedro Tavares, hoje com 41 anos, que é bisneto, neto e filho de produtores, mas do cacau, a única coisa que ele viu até hoje, desde que a praga da vassoura de bruxa chegou na região, em 1988, 30 anos atrás (quando tinha 11), foi tragédia, dores e queixas:

    — Dois amigos da minha família se suicidaram.

    Pedro diz que a questão principal é ver o valor nominal da dívida:

    — O grosso da dívida foi contraída a partir de notas técnicas da Ceplac. Ou seja, sob orientação do governo. E deu em nada. Como poderiam os produtores saírem disso se estavam negativados nos bancos?

    Segundo Pedro, a região do cacau tem importância fundamental na preservação da mata atlântica, na produção de chocolate e conta com a expertise da Ceplac.

    — Vamos ver se agora vai.

    Em suma, nos bancos o cacau é devedor, mas politicamente se acha credor. Na era do PT no poder, ainda acrescentou aos seus infortúnios as invasões do MST e de supostos índios. Os endividados, ou seus herdeiros, vislumbram tempos melhores.