Bebianno cai atirando e mostra que não mentiu. Bolsonaro paga a conta

    Munição é que não falta. Ou melhor, o cipoal está bem adubado

    Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
    Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

     

    Não importa muito como um governo começa. Muitos começam bem e acabam mal. Sabe-se lá como o de Bolsonaro vai acabar, mas definitivamente, não começou bem.

    Na dividida entre o filho Carlos e o ministro Gustavo Bebianno, chamado de mentiroso publicamente, o presidente ficou com o filho. Bebianno vazou o teor das conversas, pelo site da revista Veja, e mostrou que não mentiu, conversou pelo zap. E o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, disse que o assunto já estava explicado pela nota e o vídeo postado pelo próprio Bolsonaro no dia anterior, com a ressalva de que é hora de olhar para frente.

    Pela culatra

    Claro que o Planalto se esforçou em criar outra agenda, falando da ajuda humanitária que vai mandar para a Venezuela, fazendo de conta que o caso Bebianno não existia. Mas não é bem assim.

    Ironia: as redes sociais que tanto beneficiaram Bolsonaro na campanha, agora são a arma predileta usada contra ele. A oposição, ainda calada publicamente, finge que assiste de camarote, mas trabalha intensamente na produção de memes e peças desconstruindo a imagem de Bolsonaro e aliados, muitos deles atacados sistematicamente, como aliás, faziam no tempo em que eram pedra, esquecendo que sua vez de vidraça chegaria.

    Até parece, como diria o poeta, ‘a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar’. Munição é que não falta. Ou melhor, o cipoal está bem adubado.