Se a capitalização for retirada, a reforma da Previdência avança, avalia Rui

    Governador voltou a criticar regime em que trabalhador financia uma espécie de poupança própria, modelo defendido por Paulo Guedes

    Foto: Luis Macedo/ Câmara dos Deputados

    O governador Rui Costa (PT) voltou a se posicionar contra o regime de capitalização, um dos itens previstos na reforma da Previdência proposta pelo governo Jair Bolsonaro (PSL).

    Nesse modelo, o trabalhador financia uma espécie de poupança própria para garantir sua aposentadoria no futuro. No sistema atual, as contribuições das pessoas em atividade são usadas para bancar os benefícios dos aposentados.

    “Não vejo nenhuma lógica na aplicação da capitalização. Por dois motivos: primeiro, porque isso vai provocar um rombo nas contas públicas dos estados e um rombo na conta do governo federal. Porque você tira a receita dos novos que entrarem agora no novo modelo da Previdência. Ou seja, todos que foram contratados, seja pra ser servidor publico ou da iniciativa, o dinheiro dele vai pra outro lugar. O dinheiro deles ajuda a financiar o déficit”, declarou Rui ao bahia.ba nesta segunda (1º).

    “A Bahia teve, no ano passado, um déficit de R$ 4 bilhões. Se já estivesse valendo essa regra, o déficit não teria sido R$ 4 bilhões, teria sido de R$ 5 bilhões, R$ 6 bilhões, porque eu não teria tido o ingresso do dinheiro dos novos. Entraram no Estado, nos últimos quatro anos, 11 mil pessoas. O dinheiro dessas 11 mil está ajudando a financiar o deficit dos aposentados. Na hora que eu disser que que o dinheiro dos novos vai para outro lugar, eu vou aumentar o rombo. Se a reforma é pra sanear as contas públicas, nós estamos aumentando.”

    “Se esse item for retirado, eu acho que a reforma avança mais rapidamente, porque os outros pontos precisem de ajustes, mas são ajustes de modulação, e não de conceito. A capitalização, não. Ou você implanta ou não implanta”, avalia o petista.

    “É um modelo que não presta. O único que ganha na sociedade com esse modelo chama-se sistema financeiro. São os bancos que vão faturar muito às custas da pobreza”, afirmou o governador.

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