Exonerações e fim de políticas do passado marcam início da gestão Salles

    Funcionários também relatam perseguição; em um só dia, foram exonerados 21 dos 27 superintendentes do Ibama

    Foto: Reprodução/TV Cultura

    Reportagem da Folha mostra que os cem primeiros dias de Ricardo Salles à frente do MMA (Ministério do Meio Ambiente) foram marcados por exonerações em massa, extinção de conselhos, perda de órgãos para outros ministérios e desmonte de estruturas e de políticas ambientais do passado.

    Segundo a reportagem, os episódios confirmaram que a gestão ambiental no governo Bolsonaro não seria de continuidade (ou tédio).

    A publicação lembra que, ainda na campanha eleitoral, o discurso de Jair Bolsonaro (PSL) para a área ambiental destoava de todos os outros os candidatos. Era o único a prometer a saída do Brasil do Acordo de Paris, assinado por 195 países contra as mudanças climáticas, e a fusão do MMA com a Agricultura.

    Após pressão interna e externa, nenhuma dessas propostas se concretizou. Mas o discurso alinhado com os ruralistas do que com os ambientalistas não era bravata.

    O clima instaurado por Salles também de perseguição, conforme funcionários do ministério ouvidos pela Folha.

    De acordo com eles, além da desconfiança do ministro em relação aos servidores (e vice-versa), constantes interferências do seu gabinete na atuação de órgãos como o ICMBio culminaram no pedido de demissão do presidente do órgão, Adalberto Eberhard, nesta segunda (15).

    Em um só dia, foram exonerados 21 dos 27 superintendentes estaduais do Ibama. Também em março, o órgão exonerou da função o servidor que havia multado Bolsonaro em 2012 por pesca irregular.