‘É necessário mostrar autoridade’, diz Toffoli ao defender censura a sites

    Supremo mandou tirar do ar reportagem da revista online Crusoé reproduzida por O Antagonista

    Foto: Carlos Humberto / STF

    Em entrevista ao jornal Valor Econômico veiculada nesta quinta (18), o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, defendeu a censura determinada pela corte à revista Crusoé e ao site O Antagonista e afirmou ser “necessário mostrar autoridade e limites. ​

    “Se você publica uma matéria chamando alguém de criminoso, acusando alguém de ter participado de um esquema, e isso é uma inverdade, tem que ser tirado do ar. Ponto. Simples assim”, declarou.

    “É necessário mostrar autoridade e limites. Não há que se falar em censura neste caso da Crusoé e do Antagonista”, acrescentou Toffoli.

    Os veículos censurados publicaram textos com uma menção a Toffoli feita pelo empresário e delator Marcelo Odebrecht em um e-mail de 2007, quando o atual presidente do Supremo era chefe da AGU (Advocacia Geral da União) do governo do presidente Lula (2003-2010).

    “Afinal vocês fecharam com o amigo do amigo de meu pai?”, escreveu o empreiteiro

    Odebrecht explicou à PF, segundo a revista, que a mensagem se referia a tratativas que o então diretor jurídico da empreiteira, Adriano Maia, tinha com a AGU sobre temas envolvendo as hidrelétricas do rio Madeira, em Rondônia. “’Amigo do amigo de meu pai’ se refere a José Antonio Dias Toffoli”, disse. Não há no e-mail, porém, nenhuma citação a pagamentos.

    A decisão de censura a revista e o site é do ministro Alexandre de Moraes, que atendeu a um pedido de Toffoli na sexta-feira (12), no âmbito de um inquérito aberto pelo STF em março para apurar fake news e divulgação de mensagens que atentem contra a honra dos integrantes do tribunal. O site foi notificado na manhã da última segunda (15).