Jogos: Mega-Sena pode. Mas e o resto, onde o é que o bicho pega?

    "Quanta gente sai para jogar fora do Brasil... E o jogo do bicho? Os funcionários não podem ser legalizados, o governo nada ganha"

    Foto: Gilmar Felix / Câmara dos Deputados
    Foto: Gilmar Felix / Câmara dos Deputados

     

    O Brasil é mesmo um país engraçado num ponto. A proibição de jogos como cassinos e o nosso velho conhecido bicho. Por que se a intensa correria dos brasileiros para fazer a fé na Mega-Sena, semana passada, mostra que a prática só é aceita quando o Estado, via Caixa, é a banca?

    Isso quer dizer que não há questões morais em jogo, como querem os evangélicos.

    Na legislatura passada, o baiano Paulo Azi (DEM) – foto apresentou projeto de legalização na Câmara. Não andou. Outro projeto, do senador Ciro Nogueira (PP-PI), morreu na CCJ do Senado. Ambos pretendiam legalizar os jogos de cabo a rabo, inclusive o bicho.

    Caça-níqueis

    Paulo Azi voltou a apresentar novo projeto, legalizando apenas cassinos, como tentou por meio de uma emenda na Lei Geral do Turismo, sem sucesso, graças à oposição da bancada evangélica:

    — Não vejo sentido na proibição. Quanta gente sai para jogar fora do Brasil… E o jogo do bicho? Os funcionários não podem ser legalizados, o governo nada ganha.

    Alguns deputados em Brasília dizem que os entraves se dão por dois motivos: a reação da bancada evangélica, que é contra; e a dos deputados que são favoráveis à liberação plena e total.

    Neste caso, o temor que emerge não é do bicho, mas das máquinas caça-níqueis, que seriam instaladas por todos os cantos com escassas chances de uma fiscalização eficaz, o que criaria um prato cheio para fraudes. Enquanto isso, a Mega-Sena impera só.