Reforma da Previdência vai ter que mudar. Do jeito que está, não passa

    Em suma, a reforma vai, mas não como o governo quer

    Foto: Carol Garcia/Gov-BA
    Foto: Carol Garcia/Gov-BA

     

    No almoço ontem com jornalistas, ao ser abordado sobre a reforma da Previdência em tramitação na Câmara, Rui Costa foi curto e grosso:

    — Não topo discutir se isso (a capitalização) continuar. Não tem nenhum país relevante que tenha adotado esse modelo. Não há como conceber previdência nestas bases. É incoerente e socialmente absurda a proposta.

    A posição de Rui reflete o pensamento da grande maioria, segundo os deputados baianos em Brasília. Ontem, na audiência que a Comissão Especial de Reforma da Previdência realizou na Assembleia, o presidente Marcelo Ramos (PR-AM), referendou a tese.

    Desconstitucionalização

    Segundo Marcelo, vários partidos que formam a maioria de dois terços na Câmara já sinalizaram que são contra pontos como capitalização, mudanças no Benefício da Prestação Continuada (BPC), alteração nas aposentadorias de trabalhadores rurais e professores e também na desconstitucionalização (prevê a retiradas de garantias previdenciárias da Constituição para submetê-las a leis ordinárias, que podem mudar com maioria simples):

    — Isso não impede que o governo atinja os seus objetivos. Ele quer poupar R$ 1 trilhão. O BPC e os trabalhadores rurais e professores custam R$ 140 bilhões. A desconstitucionalização e a capitalização não têm impacto financeiro.

    Em suma, a reforma vai, mas não como o governo quer.