Moro e Dallagnol, julgador e acusador, segundo Otto, vão ter que se explicar

    É certo que a pretensão de Moro ir para o STF subiu no telhado

    Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
    Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

     

    A vida é mesmo cheia de ironias. Quando o então juiz Sérgio Moro, a uma semana da eleição, deixou vazar a delação do ex-ministro de Lula Antonio Palocci, a uma semana do primeiro turno presidencial, era legal, apesar do bombardeio de críticas, inclusive de juristas, que dizia tratar-se de uma ação política.

    Agora, alvos de vazamento de mensagens reveladas pelo site The Intercept Brasil, Moro e o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, foram incisivos: disseram-se vítimas de um vazamento ‘imoral e ilegal’. Sugere-se que só eles possuem a legalidade e a moralidade.

    Na escada

    Cola? Para o senador Otto Alencar (PSD), claro que não. Ontem em entrevista a Band News, ele disse que Moro ‘deixou vazar tudo’. E vaticinou:

    — As acusações, de que Moro e Dallagnol, um juiz que deve julgar os fatos, e o procurador que deveria apurar, agiam de comum acordo, são graves. E fatalmente vão dar em CPI.

    Também é certo que a pretensão de Moro ir para o STF subiu no telhado. Otto diz ter uma quase certeza:

    — No Senado não passa. Ele atropelou a lei, agiu como se os fins justificassem os meios. E isso é grave.

    O senador afirma que no Paraná já se dizia que Moro sempre fez vistas grossas para os aprontes do ex-governador Beto Richa. A isso soma-se a desarticulação do governo no Congresso. Em suma, Moro subiu a escada. Está com a moral de juiz sério e condenador rigoroso em xeque. E o procurador Dallagnol, tão rigoroso no ato de acusar, agora está se explicando.

    Entrou água.