Otto acusa Bolsonaro de perseguir Nordeste mas minimiza termo ‘paraíba’

    "Para mim, chamar de paraíba não é importante. O que é muito difícil de absorver é dizer que vai marcar um governador porque tem discordância ideológica ou política", disse senador

    Foto: Matheus Morais/ bahia.ba

    O senador Otto Alencar (PSD) minimizou o termo “paraíba”, usado pelo presidente Jair Bolsonaro para se referir a governadores do Nordeste.

    Para o parlamentar, o ponto crítico da fala do chefe do Planalto foi a indicação de não liberar recursos para o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB).

    “Estou muito cético em relação ao governo federal mobilizar suas bancadas para aprovar o pacto federativo diante dos últimos fatos, com o presidente da República marcando os governadores do Nordeste. Para mim, chamar de paraíba não é importante. O que é muito difícil de absorver é dizer que vai marcar um governador porque tem discordância ideológica ou política”, afirmou Otto, na saída de mais uma reunião do Consórcio Nordeste, formado pelos governadores da região.

    “Fiz residência em São Paulo, no Hospital das Clínicas, com outro nordestino. O cara do Piauí era chamado de baiano, o de Pernambuco era baiano…O grande problema é discriminar os estados e não passar nada porque o cara pensa diferente”, acrescentou.

    Reforma e pacto federativo – Ao comentar sobre a negociação que garantiu os votos do PSD a favor da reforma da Previdência, Otto afirmou que o governo federal não cumpriu sua parte.

    “Os cinco deputados federais que seguem a minha orientação votaram a favor com o compromisso de se votar antes do recesso o projeto da cessão onerosa, o que não aconteceu. […] Nós votamos a favor pelo pacto federativo. Nossa posição [inicial] era votar contra”, disse o senador.

    O parlamentar reiterou a importância da pauta, composta por sete itens e defendida pelo governador Rui Costa (PT), para aumentar a receita dos estados.

    “Na minha opinião, o pacto federativo só acontecerá se o Congresso Nacional aprovar antes da reforma da previdência. Já está no senado aquele bônus da assinatura, o fundo social, a ampliação do prazo para pagamento dos precatórios até 2028 – os estados não vão ter condições de pagar ate o prazo estabelecido – o Plano Mansueto para acesso a recursos para investimentos”, listou.

    “O outro item é o pagamento de R$ 4 bilhões esse ano da Lei Kandir, que o governo se comprometeu e até agora não cumpriu. A extinção da Lei Kandir, que está na Câmara dos Deputados, o presidente Rodrigo Maia ficou de aprovar e não aprovou. Incluir os estados na reforma da Previdência não é muito importante. O importante é aprovar o pacto federativo, porque vai entrar dinheiro extra pros estados. Só do bônus de assinatura vai entrar para a Bahia, se for aprovado, R$ 480 milhões”, exemplificou.