Bolsonaro chama de ‘balela’ documentos sobre mortes na ditadura

    "Não tem nada escrito que foi isso, foi aquilo. Meu sentimento era esse", afirmou Bolsonaro, após apresentar versão diferente da oficial sobre a morte do pai do presidente da OAB

    Foto: Marcos Corrêa/PR

    O presidente Jair Bolsonaro questionou nesta terça-feira (30) o trabalho da Comissão da Verdade e chamou de “balela” documentos sobre mortos na ditadura militar, de acordo com o G1.

    “Você acredita em Comissão da Verdade? Qual foi a composição da Comissão da Verdade? Foram sete pessoas indicadas por quem? Pela Dilma [Rousseff, ex-presidente]”, afirmou o chefe do Palácio do Planalto, ao ser questionado sobre a conclusão do colegiado em relação à morte de Fernando Santa Cruz, pai de Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

    Conforme a comissão, Fernando foi preso e morto por agentes do Estado.

    Na segunda-feira (29), Bolsonaro disse que “um dia” contaria para o presidente da OAB como o pai despareceu. “Ele não vai querer saber a verdade”, afirmou.

    Mais tarde, no mesmo dia, declarou, durante uma transmissão no Facebook, que Fernando foi morto por militantes da Ação Popular, grupo de esquerda do qual fazia parte e que praticava a luta armada.

    Ao ser perguntado sobre apresentar uma versão diferente da oficial, Bolsonaro disse nesta terça: “Nós queremos desvendar crimes. A questão de 64, existem documentos de matou, não matou, isso aí é balela”.

    O presidente afirmou ainda que sua versão se baseia em “sentimento”. “O que eu sei é o que falei para vocês. Não tem nada escrito que foi isso, foi aquilo. Meu sentimento era esse”, disse.

    Sobre a ausência de um documento que sustente sua fala, Bolsonaro questionou: “Você quer documento para isso, meu Deus do céu? Documento é quando você casa, você se divorcia. Eles têm documentos dizendo o contrário?”.