Dois dos quatro presos suspeitos de hackear autoridades, como o ministro Sérgio Moro, afirmaram, em depoimento à Justiça, que sofreram maus-tratos, informa a Folha.
Em audiência de custódia realizada nesta terça-feira (30) com o juiz Vallisney Oliveira, da 10ª Vara Federal em Brasília, Gustavo Henrique Elias Santos, 28 anos, e Suelen Oliveira, 25, relataram condutas de policiais federais que classificaram como maus-tratos.
Eles disseram ainda que, ao serem presos, foram impedidos de telefonar para seu advogado, Ariovaldo Moreira.
“Os policiais entraram em casa, já fui agredido verbalmente desde o momento que estouraram a porta, porque eu estava dormindo. Desde o começo eu colaborei, deixei eles super à vontade, mas fui bem agredido verbalmente. ‘Hacker, bandido, tá preso, perdeu’”, afirmou Elias.
“Eu estava dormindo pelado, e não deixavam de jeito nenhum eu pôr uma roupa. Não deixaram eu colocar uma cueca. Depois de algum tempo me deram uma roupa, eu já algemado. Eu disse que queria conversar com meu advogado, queria saber o que estava acontecendo. A primeira coisa que falaram: ‘Você que é o hacker’. Desde o momento que entraram em casa eu pedi para ligar para meu advogado, conversar com minha mãe, e não deixaram”, acrescentou.
Suelen, por sua, afirmou que só foi autorizada a tomar banho depois de dois dias presa. “Me trataram mal, fizeram muitas piadinhas, fiquei sem papel higiênico, sem absorvente, tive que tomar água do chuveiro”, disse.
“Não quero voltar mais lá [na penitenciária feminina do Distrito Federal]. Eu não tenho nada a ver com isso”, afirmou, chorando.
Durante a audiência, o magistrado negou pedido da defesa para soltar os suspeitos. Conforme o juiz, não surgiram novos elementos que justifiquem a liberação dos presos.
Prorrogada na última sexta-feira (26), a prisão temporária vence na quinta-feira (1º).

