José Carneiro e o sincericídio sobre o podre do ‘toma lá dá cá’

    E que ele tome cuidado. Pode resultar em sincericídio mesmo

    José Carneiro (PSDB), presidente da Câmara de Feira de Santana, pela segunda vez, declarou que a política está impregnada pelo ‘toma lá, dá cá’, e diz ter caído em desgraça com a imprensa. Apanhou de todo lado:

    — Disseram até que eu cometi um sincericídio.

    Ou seja, pecou pelo excesso de sinceridade, o que poderia virar suicídio político.

    O caso instiga uma boa reflexão. Claro que a mídia interpretou o fato conforme os ditames do senso comum vigente: o ‘toma lá, da cá’, irmão gêmeo do ‘é dando que se recebe’, virou símbolo de negociatas, trambiques e cambalachos operacionalizados nas caladas em busca do voto, numa escala que vai do alto até o tête-à-tête com o eleitor comum.

    Hierarquia moral

    O episódio, um tanto folclórico, visto pela banda séria, mostra a quantas o jogo político apodreceu. Até porque, convém enfatizar, o toma lá, dá cá, e também o é dando que se recebe, sempre foram apêndices normalíssimos do jogo político.

    Os princípios aí enunciados têm hierarquia moral. Veja você: toma lá votos está diretamente relacionada com a qualidade moral do dá cá.

    E grandes obras, tanto infraestruturais quanto sociais, emergiram com alguns dá cá do bem.

    O caso é que o jogo apodreceu e o dá cá virou sinônimo de vantagem para o bolso. Foi isso que o José Carneiro quis dizer. E que ele tome cuidado. Pode resultar em sincericídio mesmo.