Documentário lança campanha de financiamento coletivo

    Enredo da jornalista Camila de Moraes aborda o assassinato de Júlio César de Melo Pinto, morto na década de 1980 pela Polícia Militar de Porto Alegre, após ser confundido com um assaltante

    Foto: Divulgação

    Júlio César morreu. Morreu de quê? Foi executado pela Polícia Militar, após ser confundido com um assaltante. Parece até enredo cinematográfico, mas é baseado em fatos reais. Júlio César de Melo Pinto morreu na década de 1980, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A história do operário gaúcho, negro, casado, 30 anos e sem antecedentes criminais, será contada no documentário “O Caso do Homem Errado (Existe Homem Certo?)”, da diretora Camila de Moraes.

    A trama que será abordada pela jornalista toca em um debate tão antigo quanto atual dentro das violências geradas pelo racismo brasileiro: o extermínio da população negra pelas forças policiais. Para colocar na telona um dos casos mais emblemáticos desse tipo de violência que ficou conhecido como “O Caso do Homem Errado”, a diretora e jornalista Camila de Moraes lança a campanha de financiamento coletivo, através do site de crowdfunding Benfeitoria.

    “É uma história que precisa ser contada. Por meio da Campanha de Financiamento Coletivo pretendemos realizar a produção desse documentário nesse primeiro semestre de 2016. Para colaborar na construção desse projeto ‘estamos por nossa conta’, como diria Steve Biko”, conta a diretora no site.

    A metodologia da campanha de arrecadação funciona no modelo “tudo ou nada”. Ou seja, eles precisam conseguir toda a verba necessária (R$ 15 mil) para a realização do filme ou não recebem nenhum auxílio. As contribuições têm valores que vão de R$ 10 a R$ 2,5 mil. As recompensas vão desde um agradecimento nos créditos finais do filme, passando por canecas e sacolas ecológicas oficiais, até um convite para a pré-estreia do documentário.

    Morte violenta – O crime ficou conhecido como “O Caso do Homem Errado” e ganhou fama após o repórter do jornal Zero Hora, Ronaldo Bernardi, fotografar Júlio César sendo colocado com vida na viatura e chegar 37 minutos depois no hospital, morto com dois tiros. Os assassinatos cometidos pelas forças de segurança no Brasil são a segunda maior causa de mortes violentas no país, ultrapassando inclusive o latrocínio. Só em 2015, a polícia do Rio de Janeiro, por exemplo, matou mais de mil pessoas, entre elas cinco jovens inocentes na chacina de Costa Barros, no mês de novembro.

     

    Vídeos da campanha:

    Explicação

    https://www.youtube.com/watch?v=gVADvzWoPT8

    Manifesto: