Vale a pena bajular Trump, Bolsonaro?

    Na briga entre EUA e China, os chineses passaram a comprar mais do Brasil. Cabe ao presidente avaliar o grau de sua 'amizade' com Trump

    Foto: Divulgação/PR
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    Se Bolsonaro esculachou o presidente da França, Emanuel Macron, pintou e bordou com a ex-presidente do Chile, Michele Bachelet, e dá sinais de que o único que presta é Donald Trump, dos EUA, que está em guerra comercial com a China, será que ele vai barrar os projetos chineses na Bahia, como a intenção de pegar a ponte Salvador-Itaparica e a Fiol?

    Com a palavra o senador Otto Alencar (PSD):

    — Só se ele for louco. Já ensaiou a briga com os árabes e recuou, porque o Brasil perderia muito em venda de carnes e frango. Sinceramente, eu não acredito.

    Soja no bolo

    Um sinal que não é bom é a disposição de Bolsonaro de botar o filho, Eduardo, embaixador nos EUA, segundo o próprio disse a jornalista Leda Nagle esta semana ‘porque Eduardo sempre quis morar nos EUA e agora que apareceu essa oportunidade graças a amizade com a família Trump, caiu bem’.

    De novo fala Otto:

    — Um embaixador não pode ter viés ideológico. Deve defender sobretudo os interesses maiores do país.

    E aí entra outra questão que tem inquietado os arautos do agronegócio baiano: os EUA são os maiores produtores mundiais de soja, com pouco mais de 120 milhões de toneladas, seguido do Brasil, com 113 milhões. Na briga entre EUA e China, os chineses passaram a comprar mais do Brasil.

    A questão: bajular Trump lá é fazer gol contra cá. E cá, os políticos não acreditam, mas muita gente perde o sono.