Caso Marielle: Delegado da PF criou ‘central de mutretas’, diz inquérito

    Afirmação consta no relatório final da PGR sobre o caso; "atos de corrupção" cometidos por Hélio Khristian foram informados à Superintendência da PF no Rio

    Foto: Arquivo/ Guilherme Cunha/ Alerj

    Acusado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) de obstruir as investigações sobre a morte de Marielle Franco, o delegado da Polícia Federal Hélio Khristian Cunha de Almeida teria montado uma “central de mutretas” na superintendência da PF no Rio de Janeiro.

    A afirmação consta no relatório final da corporação sobre o Caso Marielle, que indiciou o PM Rodrigo Jorge Ferreira, o Ferreirinha, e a advogada Camila Nogueira sob a acusação de atrapalhar os rumos do inquérito sobre o atentado. As informações são do UOL.

    O documento aponta que HK, como é conhecido o delegado, usou intermediários para tentar extorquir R$ 300 mil do vereador Marcello Sicilliano (PHS-RJ), apontado, ao lado do miliciano Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, como mandante da morte de Marielle por Ferreirinha.

    HK foi o delegado federal, junto com outros dois colegas, que levou o PM a prestar o depoimento aos investigadores da DH da Capital (Delegacia de Homicídios do Rio, órgão da Polícia Civil). Ferreirinha admitiu, posteriormente, que prestou falso testemunho. A defesa do delegado nega todas as acusações.

    O delegado federal Leandro Almada, responsável pela investigação sobre a obstrução no Caso Marielle, disse no relatório que os “atos de corrupção” cometidos por HK foram informados à Superintendência da PF no Rio para que “medidas cabíveis” fossem adotadas.

    “Lamentavelmente, a autoridade policial que presidiu o IPL 477/18 [o inquérito da PF sobre o Caso Marielle], lotado no Estado do Amazonas, sem conhecer as mazelas do RJ, possa, açodadamente tecer comentários com carga de subjetivismo, sem qualquer prova ou fundamento. Certamente, tal ilação será objeto de demanda judicial em desfavor da União no momento oportuno”, afirmou, em nota, o advogado Leonardo Carvalho, defensor de HK.

    Carvalho acrescenta que “desconhece qualquer tipo de acusação neste sentido e encontra-se à disposição para quaisquer esclarecimentos que os órgãos de persecução necessitem”.