A economia de energia elétrica na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (Ufba), decorrente do corte de verbas realizado pelo governo federal, foi alvo de críticas de vereadores de Salvador na tribuna da Câmara nesta quarta-feira (2).
As manifestações começaram com Edvaldo Brito (PSD), que lembrou que é professor na instituição há 45 anos e jamais havia presenciado uma situação como a registrada nas últimas semanas na faculdade, com corredores às escuras e apenas dois homens fazendo a segurança do local.
“Segunda-feira ao chegar para dar aula no doutorado me deparei com essa situação e é preciso reagir”, disse o vereador, com um jornal nas mãos que trazia uma reportagem sobre o assunto.
Brito, então, convidou o presidente Geraldo Jr. (SD), bem como os outros parlamentares da Casa, a demonstrar a apoio ao reitor João Carlos Sales e ao diretor da Faculdade de Direito Julio Rocha para que seja feita pressão com o intuito de normalizar a situação da instituição.
“Quando vemos que as instituições de saúde e de educação estão indo a debacle, este é um país infeliz”, concluiu Brito.
Geraldo Jr. (SD) prontamente atendeu ao apelo de Brito e disse que “esta é uma luta que merece o respeito e atenção de todos os vereadores desta Casa”.
A manifestação do presidente da Câmara foi acompanhada por outros vereadores, a começar pelo presidente da Comissão de Educação, Toinho Carolino (Podemos), que classificou como “absurdo” o descaso do governo federal com o ensino superior. “O presidente Bolsonaro não tem o mínimo bom senso e responsabilidade com a educação pública do país”, disse.
Odiosvaldo Vigas (PDT) fez coro a Carolino, afirmando que o governo Bolsonaro está “destruindo a educação pública com o propósito de manter suas ideologias”.
Marcos Mendes (PSOL) e Marta Rodrigues (PT) endossaram as críticas e disseram ter participado de manifestação na Reitoria da Ufba em defesa da educação. Para Suíca (PT), os cortes do governo federal comprometem “a formação de milhares de estudantes” – o parlamentar também criticou a indicação de interventores na direção dos Institutos Federais de Educação.
Por fim, Sílvio Humberto (PSB), que também é professor universitário, disse que “não dá para imaginar um país onde o presidente tem como meta destruir a universidade”.
A Ufba teve cerca de R$ 53 milhões do orçamento de custeio e investimentos bloqueado pelo Ministério da Educação em abril. Mais recentemente, no final de setembro, o ministério anunciou o desbloqueio de R$ 24 milhões. A Ufba confirmou, em nota, a liberação das verbas, mas informou que não sabe quanto poderá usar.

