
Já dizia Octávio Mangabeira, e é sempre bom recorrer à máxima ‘pense num absurdo, a Bahia tem precedente’. Desta vez o palco é o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA). Lá, a professora Luzia Mota foi eleita em 13 de dezembro de 2018, e até hoje, quase 10 meses depois, não tomou posse.
Pro tempore é uma expressão latina que significa transitório, ou por enquanto, qualquer coisa assim. E aí está o absurdo: no IFBA, o reitor Renato Anunciação contestou o processo eleitoral e ficaria pro tempore. Num pleito com três, candidatos foi o último, mas virou o primeiro. Está até hoje.
O processo eleitoral, segundo Luzia, foi comprometido.
—Luzia Mota teve 32,2%. Segundo ela, o processo foi tumultuado pelas tentativas de protelação do reitor (e candidato):
— Foram necessários dois mandados de segurança para garantir a realização da eleição.
A documentação com o resultado eleitoral, que elegeu, ainda, os diretores de campi, foi encaminhada ao MEC, em 10 de janeiro, para avaliações jurídicas e trâmites, visando o encaminhamento à Casa Civil e a nomeação da reitora eleita, pelo presidente Bolsonaro.
Pelo contrário, o MEC não só deixou de efetuar o encaminhamento como ainda fez retroceder todos os procedimentos já efetuados. Luzia tem o apoio de 32 dos 42 representantes federais da Bahia, mas nem isso sensibiliza o ministro Abraham Weintraub, de resto, outro mestre em abrir precedentes absurdos.
Fala Renato
Renato Anunciação Filho, que perdeu e permanece como reitor pro tempore evoca o direito de resposta para dar sua versão.
Ele diz que foi eleito em 2014, com 52% dos votos, e em dezembro ano passado disputou a reeleição com três candidatos. E cita os problemas de cada um:
— Um perdeu o dia e o horário de inscrição, mas três dias depois foi beneficiado por alteração das regras eleitorais feitas para acomodar sua candidatura. Outro que não cumpria os requisitos da lei, ou seja, não era doutor, nem estava em final de carreira. Outro comprovadamente, realizou campanha fora do prazo estabelecido pelas normas eleitorais.
Diz Renato que todas as irregularidades foram ignoradas pela Comissão Eleitoral, ‘comissão nomeada por aclamação numa assembleia em que nem ata foi apresentada, toda composta por pessoas ligadas a candidaturas adversárias que desconsiderou todas as contestações que fizemos em relação e estes e a outros absurdos, que estão sendo objeto de questionamento junto à Justiça Federal e ao Ministério da Educação’.
Ele diz que agiu dentro da lei. E acha difamatória a informação de que ‘tumultuou’ o processo eleitoral.
Ok. Mas pelo visto, na eleição todo mundo estava erado e só ele com a razão.

