A conta do óleo maldito já chegou. Pescadores e marisqueiras pagam caro

    'Sardinha está dando de R$ 0,50 o quilo, de R$ 0,20 o quilo, e não vende. Temos filhos para criar, não temos defeso, bolsa família, nada'

    Foto: Reprodução/TV Globo
    Foto: Reprodução/TV Globo

     

    É óbvio que numa tragédia como a do petróleo que emporcalha nosso litoral, todos perdem, e muito, mas como sempre, a conta fica bem mais cara para a banda mais pobre.

    Numa audiência pública realizada ontem à tarde na Assembleia pela Comissão de Meio Ambiente, à frente o deputado Marcelino Galo (PT), a maciça presença de pescadores e marisqueiras de Salvador, ilha de Itaparica e cercanias, traçou bem um painel (dramático) da situação.

    Eles afirmam que o intenso noticiário sobre o assunto assusta a população. E com razão. Porque em alguns casos, até o chumbinho, um marisco, sai com cheiro de óleo e eles próprios desistem de pegá-los, o que até antes do óleo, era rotina.

    Sem nada

    Noeli Nascimento dos Santos, ligada à Cooperativa de Pescadores Baía de Todos os Santos (Coopesbas), resume o drama de mais de dois mil pescadores e marisqueiras:

    — Não estamos vendendo nada, porque ninguém quer comprar. No Porto da Sardinha, a sardinha está dando de R$ 0,50 o quilo, de R$ 0,20 o quilo, e não vende. Temos filhos para criar, não temos defeso, bolsa família, nada.

    Maria Rita dos Anjos, do povoado de Misericórdia, próximo a Itaparica, a cidade, vai na mesma tecla:

    — Minha tia Donata está com o catado de siri todo enfonado lá. Ninguém quer comprar. E nós, como ficamos?

    O pior é que não há quem aponte um caminho. O ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, que deveria estar procurando-o, faz acusações levianas ao Greenpeace.

    Moreré, o óleo tóxico

    Moreré, na Ilha de Boipeba, em Cairu, um paradisíaco lugar ponteado por piscinas no meio do mar, virou vítima do óleo da pior forma. Voluntários achavam que a situação estava sob controle, mas ontem, grandes manchas trouxeram um material tão tóxico que derrete as luvas e libera gases ‘irrespiráveis’.

    Vítor Santana, músico mineiro que ajuda os pescadores, disse que o pessoal está angariando recursos para comprar novas luvas.