Ipea aponta que brasileiros pagam, em média, 11,4% a mais por produtos industriais

    Um levantamento apontou que a assistência tarifária, que é aplicada para proteger a indústria nacional, tem um custo anual de R$ 181,2 bilhões no país

    Foto: José Paulo Lacerda/CNI

    Um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), nesta quarta-feira (27), apontou que as tarifas sobre importação de produtos industriais levam os consumidores brasileiros a pagarem, em média, 11,4% a mais pela produção nacional.

    Um levantamento feito, entre os anos de 2010 e 2016, apontou que a assistência tarifária, que é aplicada para proteger a indústria nacional, tem um custo anual de R$ 181,2 bilhões no país. A tarifa sobre a importação tem o objetivo de proteger o produtor brasileiro.

    Nos sete anos analisados pelo Ipea, o valor acumulado do sobrepreço pago pelos consumidores sobre a produção industrial do país somou R$ 1,27 trilhão. A indústria de transformação foi a mais beneficiada no período, se apropriando de 95% desse montante, o equivalente a R$ 1,20 trilhões. Os 5% restantes ficaram com a indústria agropecuária.

    Já a indústria extrativa teve desincentivo que somou R$ 10,4 bilhões nos sete anos. “Esse ramo é prejudicado pela proteção dada a outros setores, pois paga mais caro pelos insumos e não conta com benefício no valor final do produto”, explicou o Ipea.

    O Ipea destacou que 50% dos sobrepreços acumulados no período analisado se concentraram em apenas sete dos 36 setores analisados. O mais beneficiado deles foi o de automóveis, caminhões e ônibus, que recebeu R$ 171,2 bilhões, o que equivale a 13,5% do valor total. Outros produtos alimentares aparece em segundo lugar, com R$ 101,1 bilhões ou 8% do montante.

    Completam a lista dos mais beneficiados os setores de produção de carnes, vestuário, metal, bebidas e borrachas.