Ex-agentes de Pinochet são condenados por desaparecimento de estudante em 1974

    Em decisão unânime, tribunal determinou 13 anos de prisão para o general Raúl Iturriaga Neumann e para os brigadeiros Pedro Espinoza Bravo e Miguel Krassnoff Martchenko

    Foto: Wikimedia Commons

    A Justiça chilena condenou nesta segunda-feira (26) sete ex-agentes da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) devido ao sequestro qualificado de uma estudante em 1974. O crime ocorreu durante a Operação Colombo e foi levado a cabo com o intuito de encobrir o desaparecimento de pelo menos 119 opositores.

    A sentença da Suprema Corte responsabilizou antigos agentes no crime de sequestro qualificado de Maria Angélica Andreoli Bravo, estudante de Nutrição que foi detida ilegalmente no dia 6 de agosto daquele ano.

    O tribunal, em decisão unânime, determinou 13 anos de prisão para o general Raúl Iturriaga Neumann e para os brigadeiros Pedro Espinoza Bravo e Miguel Krassnoff Martchenko, principais agentes da Direção de Inteligência Nacional (Dina), a polícia secreta de Pinochet – todos eles cumprem atualmente longas penas de prisão pelo envolvimento em violações dos direitos humanos durante a ditadura de Pinochet.

    Além desses condenados, a Justiça condenou outros quatro membros das forças da ordem a dez anos de prisão.

    De acordo com a Corte Suprema, Andreoli, militante do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR), foi presa em casa, no município de Las Condes, em Santiago. A ativista, então, foi colocada em uma van por agentes da DINA e levada para um centro de detenção clandestino conhecido como Londres 38, no centro da capital, onde foi interrogada sob tortura e confinada.

    Os torturadores buscavam obter uma confissão sobre as possíveis atividades da estudante como membro do grupo guerrilheiro MIR e os nomes e endereços de colegas políticos.

    De acordo com os depoimentos de outros detidos que foram confinados com ela, Andreoli foi vista com vida pela última vez em agosto ou setembro de 1974 – ela está desaparecida desde então.

    Em 1975, o nome de Andreoli foi incluído entre as vítimas da Operação Colombo, uma estrutura da Dina para encobrir o desaparecimento de presos políticos com o apoio das polícias secretas de Brasil e Argentina.

    Durante a ditadura de Pinochet, cerca de 3.200 pessoas foram mortas por agentes do Estado, das quais 1.192 são consideradas presas desaparecidas, enquanto outras 40 mil foram encarceradas e torturadas por razões políticas.

    (Com agências de notícias)