Com a eleição se aproximando, deputados federais começam a intensificar sua movimentação rumo à disputa pelo Executivo municipal em várias cidades baianas, além de Salvador.
Dos 41 eleitos no estado, pelo menos sete devem se candidatar. Pelo Avante, o deputado federal Sargento Isidório deve disputar a prefeitura de Salvador. Lídice da Mata (PSB), Niltinho (PP) e Pelegrino (PT) também são nomes que ainda costuram acordos para o pleito na capital baiana.
Em Feira de Santana, Dayane Pimentel deve disputar o executivo municipal pelo PSL; e Zé Neto, pelo PT. O deputado federal Leur Lomanto Júnior (DEM) é o possível nome do partido para concorrer ao Executivo em Jequié.
Em teoria, o período que antecede a eleição cobra do candidato dedicação integral. Na prática, os deputados se dividem entre a campanha com viagens extensas pelo interior da Bahia e a execução do mandato, em Brasília.
A junção das duas funções é possível pela Lei Complementar 64/1990 da Constituição Federal. Ou seja: deputados (federais e estaduais), vereadores e senadores que serão candidatos a prefeituras não precisam renunciar ao mandato no Legislativo. Eles só precisam deixar o cargo se tiverem substituído por um período, ou sucedido, o titular do Executivo seis meses antes das eleições.
Sem querer abrir mão do mandato, os parlamentares acumulam faltas e atrasam projetos, como já é prática em anos eleitorais, embora todos neguem oficialmente que haja baixa nos parlamentos.
Na eleição de 2018, por exemplo, a Câmara Federal registrou aumento de mais de 11 vezes nos pedidos de deputados federais para abonar suas faltas. Foram 527 solicitações feitas de janeiro a maio, ante 47 no mesmo período do ano anterior. Os motivos alegados pelos parlamentares são diversos, como participação em eventos partidários, ‘missões externas’ e ‘promoção de questões de interesse público’.
Entre os deputados federais da Bahia que participaram do pleito de 2018 e acumularam faltas estão: o derrotado na disputa pelo Senado, Irmão Lázaro (PSC), com 38 faltas nas sessões sem justificativa; Sérgio Brito (PSD), reeleito, com 37 faltas; o também reeleito Arthur Maia (DEM), com 32 ausências sem justificativa; e Bebeto Galvão (PSB), eleito suplente de Jaques Wagner (PT) no Senado, com 30 faltas.
Segundo o regimento da Câmara, uma falta não justificada pode resultar no desconto do salário do parlamentar. No entanto, do total de faltas na Casa na última eleição, 69% dos pedidos foram acatados pela Câmara. Em 2017, todos os pedidos de abono no período foram atendidos.
A Câmara não divulga os autores dos pedidos de abono, e justifica o sigilo afirmando que ‘a divulgação dessas informações pode prejudicar a privacidade dos solicitantes’.

