A chuvarada que atinge o Brasil causa estragos e está matando gente no país inteiro, causa alegria no sertão e também serve para afogar conflitos pela água, cada vez mais frequentes, em vários pontos.
Até dezembro do ano passado, o Rio Utinga, na Chapada Diamantina, estava com 30 dos seus 80 quilômetros ao longo dos municípios de Utinga, Wagner, Andaraí, Lençóis e Lajedinho literalmente seco. Acusação dos sem água: acima, a irrigação irregular suga tudo. E a coisa ganha clima de guerra.
Na espera
O primeiro conflito lá foi em 2012, e de lá para cá só se ampliou, na medida em que a produção de frutas em plantios irrigados também cresceu. O prefeito de Utinga, Jouyson Vieira (PSB), se diz descrente sobre soluções para o caso:
— Choveu, aparentemente está tudo bem. Mas o fato é que a construção de barragens e poços artesianos, providências que deveriam estar sendo implementadas, não acontecem. Então não está tudo bem.
Em 2015, o Inema realizou estudo e apontou que o Rio Utinga tem um déficit hídrico, óbvio. O Ministério Público, que acompanha o caso através da Promotoria de Justiça Regional Ambiental do Alto Paraguaçu, com sede em Lençóis, diz que tem mais usuários do que o rio suporta. Há milhares de pontos de captação, mas o estado só deu outorga a 30. Ou seja, não há controle. Então, até a próxima briga.
Alegria no Velho Chico
Quem também anda de sorriso largo com a chuvarada deste início de ano é o deputado Zó (PCdoB). Barranqueiro de Juazeiro que acompanha o dia a dia dos humores do Rio São Francisco, ele diz que vai tudo correndo tão bem como raramente é visto:
— Sobradinho está com 51% da sua capacidade, e sobe 1% ao dia. Três Marias, lá em Minas, está com 95%, e tendo que escancarar as comportas porque está recebendo muita água. Só vimos isso nos últimos tempos em 2011.
Zó diz que a fartura de água estabiliza o agronegócio, todo dependente da irrigação, para a geração de energia e pescadores de modo geral:
— É peixe, muito peixe, parece que a água vem trazendo o peixe. Eu mesmo tô indo pescar.

