Democracia e liberdade acima de tudo, diz Bolsonaro um dia após apoiar ato pró-golpe militar

    No domingo (19), presidente esteve em evento que pedia a instalação de um novo AI-5, o mais radical ato institucional da ditadura (1964-1985)

    Imagem: Reprodução/Twitter

    Um dia após participar de um ato que defendia uma nova intervenção militar no país, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta segunda-feira (20) ser contra o fim da democracia.

    “No que depender do presidente Jair Bolsonaro, democracia e liberdade acima de tudo”, declarou a jornalistas ao deixar o Palácio da Alvorada, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

    A declaração ocorre após o presidente ser alvo de fortes críticas em razão de sua presença em evento em Brasília que pedia a volta do AI-5, gritos contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal e o fim do isolamento social recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus.

    “Peguem o meu discurso. Não falei nada contra qualquer outro Poder. Muito pelo contrário. Queremos voltar ao trabalho, o povo quer isso. Estavam lá saudando o Exército brasileiro. É isso, mais nada. Fora isso é invencionice, tentativa de incendiar a nação que ainda está dentro da normalidade”, disse Bolsonaro nesta manhã.

    No domingo (20), em cima da caçamba de uma caminhonete, diante do quartel-general do Exército e se dirigindo a uma aglomeração de apoiadores pró-intervenção militar no Brasil, Bolsonaro afirmou neste domingo que “acabou a época da patifaria” e gritou palavras de ordem como “agora é o povo no poder” e “não queremos negociar nada”.

    “Nós não queremos negociar nada. Nós queremos ação pelo Brasil”, declarou o presidente, que participou pelo segundo dia seguido de manifestação em Brasília, provocando aglomerações em meio à pandemia do coronavírus. “Chega da velha política. Agora é Brasil acima de tudo e Deus acima de todos.”

    Além de defender o governo e clamar por intervenção militar e um novo AI-5 —o mais radical ato institucional da ditadura militar (1964-1985), que abriu caminho para o recrudescimento da repressão— os manifestantes aglomerados em frente ao quartel-general do Exército defenderam o fechamento do STF e miraram em Maia.

    Segundo o presidente, a pauta do ato que teve sua participação era apenas “povo na rua, dia do Exército e volta ao trabalho”. Confrontado com o fato de que os manifestantes também pediam a volta do AI-5, afirmou que “pedem desde 1968”.

    “Todo e qualquer movimento tem infiltrados, tem gente que tem a sua liberdade de expressão. Respeitem a liberdade de expressão”, afirmou.