No caso dos benefícios, é questão de legítima defesa

    'Ou eu venho assim como posso ou fico em casa para morrer de fome. Eu tenho alguma escolha?'

    Na fila de uma agência da Caixa na orla, na sexta-feira (17), onde madrugou, José Faustino Santos, o Tino, 61 anos, vendedor de água mineral nas sineiras de frente do novo Centro de Convenções, na Boca do Rio, sem máscara e sem distância, dizia saber estar em duplo risco.

    — Ou eu venho assim como posso ou fico em casa para morrer de fome. Eu tenho alguma escolha?

    Eis a questão: o governo liberou benefícios sociais para socorrer gente como Tino. Muito justo, mas para fazer isso, aglomerou, contrariando a regra do combate. E se o corona anda de rico para pobre, o que será quando ele adentrar a periferia?

    O pior

    É justamente por isso que Rui Costa e ACM Neto, arautos do isolamento, a estratégia recomendada pelos cientistas no mundo inteiro, intensificaram o cerco. O medo é que o vírus chegue nas favelas e provoque uma situação caótica.

    Vitaminam os receios dois fatos. Um: são os sucessivos apelos de embaixadas de países como Itália, EUA, França e Alemanha, todos ricos e com altos níveis de infecção, de darem no pé. Sinal, segundo alguns, que eles pressupõem aqui uma situação mais dramática.

    Dois: a rede hospitalar regular, que já vive no limite, dá sinais de exaustão. E a estrutura complementar será suficiente? A resposta é sempre que todo o possível está sendo feito, mas ninguém arrisca palpitar sobre a vastidão da crise. Só se sabe que é grande. E o pior ainda vem aí.