Rui vê fala de Moro como ‘delação’ de que Bolsonaro pretende cometer crime

    Governador classificou como "gravíssimas" revelações feitas pelo agora ex-ministro da Justiça e Segurança

    Foto: Fernando Vivas/GOVBA

    O governador Rui Costa (PT) classificou como “uma verdadeira delação premiada” o pronunciamento no qual o agora ex-ministro da Justiça e Segurança, Sergio Moro, revelou a tentativa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de ter acesso a relatórios de inteligência e inquéritos conduzidos pela Polícia Federal —o que é ilegal. O ex-juiz da operação Lava Jato entregou o cargo na manhã desta sexta-feira (24), na esteira da demissão de Maurício Valeixo da chefia da PF.

    “É uma confissão de que o presidente pretende cometer crime de responsabilidade. Alguém que vai substituir condicionar a nomeação de delegados, que são responsáveis por investigações, revelem tudo que está em andamento, pressupõe-se que, além de saber das notícias, ele [Bolsonaro] pode pretender também orientar ou interferir como devem ser feitas as investigações e contra quem devem ser feitas as investigações, inclusive estabelecendo perseguição a seus eventuais adversários políticos”, disse Rui Costa, no início da tarde, durante o Papo Correria, programa transmitido em suas redes sociais.

    Na avaliação do governador, Bolsonaro age para tentar interferir em investigações que o incriminem juntamente com os seus filhos.

    “Isso é gravíssimo. Isso no momento em que governadores e prefeitos focados pra salvar vidas humanas têm que gastar parte do tempo pra responder milicianos digitais, criminosos, que estão inundando as redes sociais, estão encharcando os grupos de zap com notícias falsas, caluniosas”, acrescentou o governador.

    Na quinta-feira (23), Moro havia avisado ao presidente que não ficaria no governo caso Valeixo deixasse o comando da PF. A indicação do então diretor-geral foi feita pelo próprio Moro.

    Para Rui Costa, as autoridades agora devem tomar providencias diante das acusações do ex-ministro sobre Bolsonaro.

    “O Congresso Nacional precisa se posicionar. O Senado Federal, a Câmara dos Deputados, o Ministério Público Federal, o STF. É uma entrevista que vai além de ser uma entrevista. É uma verdadeira delação premiada do ministro revelando o que está por trás da troca do delegado-geral da Polícia Federal”, afirmou.