Senador defende afastamento de Bolsonaro: ‘Gravíssimas acusações’

    Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que deve protocolar ainda nesta sexta (24) pedido de impeachment contra Jair Bolsonaro

    Foto: Marcos Corrêa/PR

    As acusações do agora ex-ministro Sergio Moro sobre os interesse políticos do presidente Jair Bolsonaro na política repercutiram no Congresso. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) anunciou que vai protocolar ainda nesta sexta-feira (24) um pedido de impeachment contra o presidente.

    Em vídeo publicado nas redes sociais, Randolfe enumerou os crimes que teriam sido cometidos por Bolsonaro, de acordo com relato de Moro.

    “Advocacia administrativa, previsto no artigo 321 do Código Penal, e o crime de falsidade ideológica, previsto no artigo 299 do mesmo diploma legal. Lamentavelmente, diante destas gravíssimas acusações, não nos resta outra alternativa senão ainda no dia de hoje protocolar pedido de afastamento, de impeachment do senhor presidente Jair Bolsonaro, pelo fato de ele ter interferido na autonomia da Polícia Federal e ter cometido o crime de falsidade ideológica”, disse.

    Ministros do Supremo Tribunal Federal também enxergam possíveis crimes cometidos pelo presidente. Além da Corte, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) deve elaborar um relatório para verificar se, de fato, houve infrações.

    Outros senadores também se manifestaram, entre eles o presidente da CPMI das Fake News, senador Ângelo Coronel (PSD-BA). O parlamentar baiano questionou por que Bolsonaro quer interferir na Polícia Federal. “Será que a equipe atual descobriu algo que está incomodando o governo?”, questionou, em seu perfil no Twitter.

    Em entrevista ao bahia.ba dias antes das declarações de Moro, o senador baiano comentou que o clã bolsonarista teme as investigações em curso pela PF na CPMI das Fake News. Na ocasião, Coronel comentava a decisão de Eduardo Bolsonaro, deputado e filho de Jair, em impetrar mandado de segurança no Supremo para impedir a prorrogação da comissão em mais 180 dias.

    ‘Delações’ de Moro

    No final da manhã desta sexta-feira (24), o então ministro da Justiça, Sergio Moro, concedeu entrevista coletiva para anunciar que não mais faria parte do governo Bolsonaro. O motivo seria a falta de compromisso do presidente em combater a corrupção, conforme prometeu durante sua campanha e como mote do convite feito a Moro no final de 2018.

    O estopim foi a substituição do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, cuja exoneração foi publicada no Diário Oficial desta sexta. Ao contrário do que diz a publicação e reforçou o perfil institucional da Secretaria de Comunicação da Presidência no Twitter, a exoneração não foi a pedido do delegado. Também diferente do que consta a publicação, Moro afirmou não ter assinado a dispensa do policial do cargo.

    Além das acusações que implica falsidade ideológica, Moro revelou também que Bolsonaro admitiu que a interferência nos quadros da PF tem motivação política.