Moro, um voo do céu da Lava Jato para o inferno

    Tudo em um ano e meio

    ‘Política é como uma nuvem. Você olha agora. Está de um jeito. Daqui a pouco, de outro’.

    A frase de Magalhães Pinto, ex-governador de Minas, é velhíssima, mas oportuníssima no caso de Sérgio Moro. Veja se não encaixa como uma luva.

    Até um ano e meio atrás, Sérgio Moro era o juiz da Lava Jato, o homem que botou Lula na cadeia e que renunciou à condição de juiz federal, cargo vitalício, para se tornar ministro da Justiça.

    Era uma aposta. A compensação pela perda da vitaliciedade viria com uma futura ascensão ao Supremo Tribunal Federal (STF), a corte maior da Justiça. Hoje, pede demissão bradando que não aceita a interferência política que Bolsonaro queria ter na PF, especialmente no Rio.

    Impeachment

    As acusações de Moro são graves. Justo ele, o arauto maior da Lava Jato, dizendo que nem Lula ou Dilma interferiram na PF durante a própria Lava Jato como se pretendia. Bolsonaro queria acompanhar o passo de alguns inquéritos, especialmente um envolvendo o filho, Flávio, senador, acusado de fazer ‘rachadinha’ quando era deputado estadual no Rio.

    Bolsonaro já explodiu o leque de aliados ajuntados no PSL, não tem filiação partidária e nem partidos para governar. Em plena crise da pandemia, agregou mais duas, as demissões de Mandetta e Moro. A questão: na Câmara, chove pedidos de impeachment contra Bolsonaro. Com o tempero dos panelaços, ele vai aguentar?