No duelo entre Executivo e Justiça, morre o bom senso

    No jogo político, aponta-se as indecências conforme as conveniências

    É certo um único ministro do STF impedir um ato presidencial de nomeação de alguém para ocupar cargos? Cheira mal, é óbvio.

    A prática é nova. Desde que Deodoro da Fonseca proclamou a República, só aconteceu quando o ministro Gilmar Mendes impediu a posse de Lula na Casa Civil do Governo Dilma. Aliás, foi do fato que o ministro Alexandre de Moraes tirou ‘a jurisprudência’ para vetar a nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da PF.

    Claro que isso contribui para ajudar a avacalhar a autoridade presidencial, como no caso Lula, quando Dilma já estava combalida por outros motivos. Mas convenhamos: no caso de Lula, Bolsonaro e cia. aplaudiram. Da mesma forma que o PT na época tanto bateu no STF, agora se cala. Ou seja, no jogo político, aponta-se as indecências conforme as conveniências. As reações não são por princípios.

    Mal educado

    E eis que nesse contexto, aparece Abraham Weintraub, o ministro da Educação. É ele o pivô dó vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, na qual Bolsonaro teria ameaçado demitir Sérgio Moro caso ele não cedesse a direção da PF.

    O governo segurava o vídeo argumentando que ele contém assuntos potencialmente sensíveis e reservados de Estado. Mas o que se diz é que nessa reunião, Weintraub teria se referido aos ministro do STF como ‘11 filhos da puta’.

    Se não foi, colou. Weintraub é um ministro da Educação que deveria começar por se reeducar.