Pandemia escancara diferenças na Educação. O Enem agora aduba isso

    De um lado, alunos a pleno pique, com aulas por videoconferência; na outra ponta, os outros estão nas filas, correndo atrás dos R$ 50 da merenda

    Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
    Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

     

    Dizem que crises como a da pandemia do corona têm o mérito de expor facetas invisíveis da sociedade. E uma delas está na educação, a brutal diferença entre alunos da rede particular e os da pública. Os primeiros, a pleno pique, tendo aulas por videoconferência. Os segundos, nas filas, correndo atrás dos R$ 50 da merenda.

    A Secretaria de Educação do Estado até implementa um projeto no sentido de ampliar o aparato digital, mas o secretário Jerônimo Rodrigues admite que alguns segmentos resistem, achando que isso vai suprimir vagas de professores.

    Fosso

    Que pena. Apenas atrasa o uso de ferramentas que já estão incorporadas ao rumo do futuro próximo. E numa circunstância dessas, em que a parte mais pobre do público interessado luta pela comida, vem o governo federal e abre as inscrições para o Enem, a ser realizado em novembro, dizendo que o calendário está mantido.

    Jerônimo, o secretário baiano, atacou:

    — É uma decisão equivocada e autoritária. Realizar o Enem num ano de pandemia é um erro grave. É desconsiderar a realidade social da maioria dos estudantes. A SEC disponibiliza conteúdos, mas para aqueles que moram em áreas remotas, na zona rural, nos quilombos, nos distritos e até mesmo na periferia das cidades, que não têm internet.

    Em suma, Enem nas atuais circunstâncias é ampliar o fosso entre os já muito desiguais.