Bolsonaro nega fala sobre interferência na PF e diz que mencionou proteção pessoal

    Presidente se irritou com a imprensa ao ser questionado sobre declarações em reunião ministerial: "Não vou me submeter a interrogatório por parte de vocês"

    Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

    O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) negou na manhã desta sexta-feira (15) que tenha falado “Polícia Federal”  na reunião ministerial de 22 de abril, cuja transcrição da conversa feita pela AGU (Advocacia-Geral da União) foi entregue na quinta (14) ao STF (Supremo Tribunal Federal).

    Segundo reportagem do portal UOL, assim como havia feito na semana passada, o presidente usou a estratégia da literalidade ao tentar dar explicações sobre o teor de suas declarações. Ele disse que, na reunião, tratou de interferência em órgãos de segurança do governo por insatisfação com sua proteção pessoal, e não de ingerência na Polícia Federal para ter acesso a relatórios de inteligência.

    “Palavra ‘PF’. Duas letras. Tem a ver com a Polícia Federal, mas é reclamação ‘PF’, no tocante ao serviço de inteligência”, declarou ele, ao deixar o Palácio da Alvorada.

    O material analisado pelo STF mostra que Bolsonaro usou a palavra “interferir” depois de reclamar que não vinha recebendo informações de inteligência da Polícia Federal. Ele também afirmou que não iria esperar “f.” a sua família para fazer trocas na “segurança”.

    O mandatário, por sua vez, diz ter falado em “PF” —sigla da instituição— para fazer reclamações quanto ao desempenho do “serviço de inteligência”.

    De acordo com o seu entendimento, o conteúdo não prova que ele tenha tentado interferir na Polícia Federal.

    Pela argumentação de Bolsonaro, isso nada teria a ver com as alegações de Sergio Moro. O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública pediu demissão o acusou de tentar impor uma troca de comando na Polícia Federal supostamente por motivação pessoal.

    ‘Não vou me submeter a interrogatório’ 

    Questionado novamente sobre suas declarações, o mandatário se irritou com a imprensa e demonstrou confusão na tentativa de responder às perguntas. “A interferência não é nesse contexto da inteligência, não. É na segurança familiar. É bem claro, segurança familiar, e não toco PF nem palavra ‘Polícia Federal’ na palavra segurança familiar…”.

    Bolsonaro afirmou ainda que não se submeteria a “interrogatório” por parte dos jornalistas. “Não vou me submeter a interrogatório por parte de vocês. Espero que a fita se torne pública para que a análise correta venha a ser feita.” Na versão do presidente, a referência feita por ele no conteúdo do vídeo era ao GSI. “A quem estaria me referindo? É óbvio.”