Dr. Agostinho se foi preocupado. Tinha medo de que Valença vire um pandemônio

    "Governo e prefeitura querem instalar o Centro de Triagem da Covid numa área junto da Santa Casa que tem único Pronto-Socorro da região, cheia de clínicas"

    Foto: arquivo pessoal
    Foto: arquivo pessoal

     

    O médico Antonio Agostinho Santana e Silva, o Dr. Agostinho, 72 anos, filho nativo de Monte Santo e adotivo de Valença, onde passou a vida, nos deixou abruptamente, vítima de um infarto fulminante. Uma tristeza que atinge em cheio os três filhos, dois netos e a viúva.

    No último papo, semana passada, ele falava da sua grande preocupação com a situação de Valença e a Covid-19. Dizendo temer que a terra se transformasse num palco de horrores, em decorrência do corona, ele e um grupo de médicos alertaram as autoridades sobre o perigo que vinha de um vacilo oficial.

    — O governo e a Prefeitura de Valença querem instalar o Centro de Triagem da Covid numa área junto da Santa Casa que tem único Pronto-Socorro da região, cheia de clínicas, em frente ao Banco do Nordeste, numa rua que é corredor de tráfego regional, onde passa todo mundo que vai para o sul.

    UTI zero

    Relatou ele que, de Valença a Camamu, o trecho litorâneo do baixo sul mais ao norte, um conjunto de sete municípios (inclui Taperoá, Cairu, Nilo Peçanha, Ituberá e Igrapiúna), uma população de mais de 200 mil habitantes, nunca teve um leito de UTI, nem agora. Ainda ganha essa.

    O alerta foi dado por um grupo de médicos integrados por Agostinho, que, agora noutro plano, inspira os arautos da causa. Como disse o próprio:

    — Tudo fizemos para descaracterizar qualquer intenção política. Apenas o local parece favorecer a logística de distribuição do vírus. Já temos uma estrutura de saúde precaríssima. A pandemia está chegando ao pico, e nenhum leito para Covid. O nosso medo, como médicos, é que a pandemia vire um pandemônio.

    O nosso também.