Moro: Bolsonaro não vetou pontos do projeto anticrime para proteger Flávio Bolsonaro

    "Isso aconteceu em dezembro de 2019, mesmo mês em que foram feitas buscas relacionadas ao filho do presidente", disse o ex-ministro

    Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

    O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) decidiu não vetar dois pontos do projeto anticrime para proteger o filho, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

    Segundo o ex-juiz, responsável pelos processos da Lava-Jato em Curitiba, as restrições do presidente à decretação de prisão preventiva, à decretação de prisões preventivas e aos acordos de colaboração premiada bateu de frente com o discurso contra a corrupção e a impunidade, então pregados por Bolsonaro.

    As declarações de Moro foram dadas em entrevista à revista “Crusoé”.

    “Me chamou a atenção um fato quando o projeto anticrime foi aprovado pelo Congresso. Infelizmente houve algumas alterações no texto que acho que não favorecem a atuação da Justiça criminal. Tirando a questão do juiz de garantias, houve restrições à decretação de prisão preventiva e também restrições à decretação de prisão preventiva e também restrições a acordos de colaboração premiada. Propusemos vetos, e me chamou a atenção o presidente não ter acolhido essas propostas de veto, especialmente se levarmos em conta o discurso dele tão incisivo contra a corrupção e a impunidade. Limitar acordos e prisão preventiva bate de frente com esse discurso. Isso aconteceu em dezembro de 2019, mesmo mês em que foram feitas buscas relacionadas ao filho do presidente”, afirmou Moro.

    À publicação, Moro também disse que presidente é incoerente com o discurso de campanha ao fazer alianças com parlamentares do centrão, “que não se destacam exatamente pela imagem de probidade”.

    Em sua avaliação, a aliança tem como objetivo barrar um possível pedido de impeachment no Congresso.