Após ameaçar sonegar dados, governo divulgou balanço com diferença de 857 mortos em um dia

    Ministério da Saúde não apresentou explicações para a divergência entre os números

    Foto: José Dias/PR

    O governo federal promoveu na noite de domingo (7) uma grande confusão ao apresentar números do impacto da pandemia do novo coronavírus. Dois dado de casos confirmados e de mortes da doença foram divulgados em um intervalo de poucas horas, mostrou o jornal Folha de S. Paulo.

    Segundo a publicação, por volta de 20h30, o Ministério da Saúde divulgou o primeiro balanço, no qual informava que 1.382 mortes haviam sido registradas nas últimas 24 horas. O número configuraria um recorde para domingo, dia da semana normalmente com menos confirmações de casos, uma vez que as equipes de saúde nos estados trabalham em regime de plantão.

    Uma hora e meia depois, o portal do ministério com informações referentes ao Covid informou que o número de óbitos confirmados era de 525. Ou seja, havia uma diferença de 857 vítimas.

    Também houve divergências em relação ao número de casos confirmados nas últimas 24 horas. O primeiro número divulgado apontava 12.581 casos. O segundo balanço, por sua vez, indicava 18.912 casos do novo coronavírus.

    Os dados do primeiro boletim do ministério eram pouco maiores do que os divulgados pelo Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), que decidiu lançar um painel com números de contaminados e óbitos paralelo ao do governo, logo após a ameaça de sonegação de dados. O órgão mostrava, até as 18h, 1.113 mortos.

    O Ministério da Saúde não apresentou explicações para a divergência entre os números.

    Os números de mortes e casos confirmados viraram motivo de polêmica desde a noite de sexta-feira, quando a pasta deixou de incluir o total de mortes e de casos confirmados desde o início da pandemia. Apenas os dados das últimas 24h estiveram presentes nos boletins de sexta-feira (5), formato que se repetiu no dia seguinte.