Para mãe, João Pedro foi vítima de racismo: ‘Na zona sul, não entrariam atirando’

    "Eles acham que quem mora na favela não pode ter uma casa boa. Se tem uma casa boa é bandido”, desabafou a professora Rafaela Coutinho Matos

    Imagem: Reprodução/Facebook

    A mãe de João Pedro Matos Pinto, morto aos 14 anos durante uma operação policial no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ), diz não ter dúvida de que o filho foi vítima de racismo.

    “Eles acham que quem mora na favela não pode ter uma casa boa. Se tem uma casa boa é bandido”, disse Rafaela Coutinho Matos, 36, em entrevista ao jornal Extra.

    A professora se refere aos policiais que invadiram o imóvel da tia do menino —uma casa com piscina no jardim —, onde João Pedro brincava com seis amigos.

    Após João Pedro ser baleado, ele foi levado por policiais num helicóptero. Rafaela passou as 18 horas seguintes em busca de informações sobre o filho. Ela só o veria novamente dentro de um caixão.

    Na semana em que o crime completa um mês, a mãe conta como tem explicado para a filha mais nova, de 4 anos, o motivo da ausência do irmão.

    “Ela pergunta muito por ele, fala sempre nele. Tentei explicar que ele está no céu, mas ela ainda não entende o que aconteceu. Procuro trocar de canal, desligar a TV, quando aparece reportagem sobre o irmão, mas ela acaba percebendo. Sei que tem sido muito difícil para ela também”, afirma Rafaela.

    Além da vontade de sair do Complexo do Salgueiro, Rafaela revela a angústia com a proximidade da data em que João Pedro faria 15 anos, no próximo dia 23.

    “Eu não queria que chegasse esse dia”, emociona-se.