E como fica onde não tem internet? Sabe-se lá

    Do mais de 5,5 mil municípios brasileiros, mais de mil não têm internet

    Se está proibido aglomerar, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizou a realização de convenções partidárias por videoconferência (entre 20 de julho e 5 de agosto), o que fazer nos municípios que não têm internet?

    A questão foi colocada semana passada numa videoconferência de prefeitos que presidem entidades de classe de todo o país, arregimentados pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM).

    Eles disseram que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está desconectado da realidade do país. Exemplo: autorizou, por unanimidade, a realização de convenções partidárias por videoconferência entre 20 de julho e 5 de agosto, esquecendo que nem todos os municípios do país têm internet. Na Amazônia, pior. E aí?.

    Banda zero

    Eles apontam que 18%, em torno de mil, dos 5.559 brasileiros não dispõem de banda larga. Revelaram também que 1.040 prefeitos entre os aptos a disputar a reeleição deste ano têm mais de 60 anos. Portanto, no time de maior taxa de risco na Covid: cadê a igualdade de competição em tais circunstâncias?

    De quebra, os prefeitos apontam que 5 mil fiscais e mesários, segundo eles, podem acabar sendo agentes de disseminação do vírus.

    Os prefeitos até têm razão em boa parte, mas não são ouvidos. Como vai se fazer onde não tem internet sabe-se lá. Mas todos os movimentos em Brasilia são para ter eleições.

    TSE nem tchum

    Mas o presidente do TSE, ministro Luís Barroso, cumpre agenda totalmente oposta ao que gostariam os prefeitos. Ele vê as eleições deste ano como fato consumado, e já escolheu as datas ideais: 29 de novembro o primeiro turno, e 13 de dezembro o segundo.

    Mas ele não se oporia ao primeiro turno 15 de novembro e o segundo 6 de dezembro, como querem os presidentes do Senado e da Câmara, Davi Alcolumbre (AC) e Rodrigo Maia (RJ, ambos do DEM.