Bolsonaro e sua torcida (ou quando mocinho e bandido dão no mesmo)

    Consenso entre políticos: ditadura nenhuma presta, mas com eles, seria um terror

    Foto: Marcos Corrêa/ PR
    Foto: Marcos Corrêa/ PR

     

    Veja você: uma manifestação na Esplanada dos Ministérios, na Praça dos Três Poderes. O STF, o alvo, junto do Congresso Nacional, pertinho do Palácio do Planalto, que fica na rua de trás. Aí está o coração institucional da República. Se assim o é, por que o Executivo não age para manter a segurança lá? É óbvio ululante?

    Aí é que acontece algo tão espantoso que parece surreal. Os tais manifestantes, que mais parecem criminosos pela forma agressiva com que estrilam o ódio, com um linguajar chulo para julgar-se a luz do caminho para a solução, uma ditadura, são seguidores do presidente da República, que, de lá, manda os seus recados no mesmo tom como quando incitou eles a invadir hospitais para aferir níveis de ocupação.

    Os tais pregam a desobediência civil abertamente. E Bolsonaro os chama de ‘linha base’. Consenso entre políticos: ditadura nenhuma presta, mas com eles, seria um terror.

    Ajuda amiga

    Precisou o governador do DF, Ibanês Rocha (MDB), um bolsonarista, ressalte-se, intervir, botando a polícia para reprimir, prendendo Sara Winter, a líder dos 300 do Brasil (que ACM Neto expulsou do DEM) e demitindo o comandante por ter permitido soltar rojões contra o STF. Bolsonaro calado estava, calado ficou.

    Aliás, o presidente vem pautando uma longa agenda negativa durante a pandemia, que inclui o completo desprezo pelos cuidados recomendados na briga contra a Covid. Em Brasília, se diz que, por incrível que pareça, é justamente a pandemia que o sustenta.

    Começou hostilizando o Congresso (agora tenta se aproximar). Depois que Alexandre de Moraes, do STF, o proibiu de nomear um agente da PF, mudou o foco. É estarrecedor, pela forma – a brutalidade – e pela solução dada – a ditadura.